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Fóssil de peixe de cerca de 110 milhões de anos é anunciado para venda em site norte-americano, denuncia paleontólogo do Cariri

ByTarso Araújo

out 30, 2021

Um fóssil de peixe com cerca de 110 milhões de anos, encontrado na Bacia do Araripe, no Cariri
cearense, está anunciado para venda em um site norte-americano. O paleontólogo cearense Álamo
Saraiva flagrou o anúncio da peça quando pesquisava informações sobre fósseis na internet.

“Procurando informações sobre fósseis na internet tive o desprazer de encontrar um site de venda de
fósseis no qual se encontrava a oferta de um Tharrhias araripes, um peixe fóssil da fase mais marinha
da Bacia do Araripe, com cerca de 110 milhões de anos”, afirma Álamo, que também é curador do
Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens e pesquisador do Laboratório de Paleontologia da
Universidade Regional do Cariri (URCA).

Ainda conforme o paleontólogo, além do fóssil Tharrhias araripes, outras espécimes da Bacia do
Araripe também estavam sendo vendidas no mesmo site. Álamo pretende acionar o Ministério Público
Federal (MPF), para tomar providências sobre a comercialização ilegal e pedir repatriação desses
fósseis.
“Vejo que é um verdadeiro escárnio este tipo de coisa, já que toda a Europa tem conhecimento de que
os fósseis da Bacia do Araripe não podem ser comercializados. Dessa forma, nós vamos pedir ao
Ministério Público Federal que tome as devidas providências para a repatriação desse material”, disse
Álamo.
No Brasil, fósseis são propriedades da União, enquanto a extração depende de autorização da Agência
Nacional de Mineração. Alguns espécimes chegam a ser vendidos por R$ 150 mil.
Importância histórica

A Bacia do Araripe se tornou um dos principais alvos do tráfico de fósseis no mundo, por causa da
preservação do material. No local, podem ser encontrados diversas espécies de insetos, moluscos,
grupos de plantas, peixes, anfíbios, tartarugas, lagartos, dinossauros, pterossauros, crocodilos, aves e
pequenos mamíferos.

De acordo com o paleontólogo, o transporte destas peças para o exterior é antigo. Em 1800 já havia
registros feitos pelo naturalista João da Silva Feijó, que foi ao Cariri a mando da Coroa Portuguesa
para relatar a singularidade dos fósseis.

À época, enviou duas coleções ao rei de Portugal. Só a partir do último século, na década de 1940, que
o material coletado começou a ser depositado no antigo Departamento Nacional de Produção Mineral
(DNPM). Porém, nos anos de 1960, Santana do Cariri tinha feiras livres de fósseis vendidos nas
calçadas e praças, e enviados para São Paulo.
Fóssil devolvido ao Ceará

O fóssil de uma aranha, cujo nome homenageia a cantora brasileira Pabllo Vittar, foi devolvido ao
Ceará, após a universidade que a tinha em seu catálogo observar que ela saiu do Brasil por meio de
tráfico internacional.

A aranha da espécie Cretapalpus vittari viveu na Chapada do Araripe, na região do Cariri cearense, há
122 milhões de anos. A peça é considerada pelos pesquisadores como o exemplar mais velho já
registrado nas Américas.

Em junho, o Ministério Público Federal já investigava se o fóssil havia sido mais um alvo dos traficantes
de fósseis que atuam na região da Chapada do Araripe há décadas.

O holótipo (peça única) da aranha saiu ilegalmente do Brasil e está em “excelente estado de
conservação”, segundo pesquisadores da Universidade de Kansas, nos Estados Unidos. Eles
descreveram o fóssil e resolveram repatriá-lo após questionamentos de paleontólogos e do MPF.

A Cretapalpus vittari já foi entregue oficialmente ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens. A
instituição promoverá, nesta quarta-feira (21) uma solenidade de recebimento, com outras 35 peças da
coleção de fósseis de aranhas cearenses presentes na universidade americana.

Fonte: G1 CE

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